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Visita de meu padrinho

Eu e meu irmão fomos no ilê vistar nossa mãe, o tempo estava bem fechado, mas não abafado. O jardim estava sendo cuidado por um tio nosso, que cortava a grama e podava as árvores. Chegamos em casa, pedimos a benção a nossa mãe e já fui tomar um cafezinho, depois de conversarmos bem e de brincarmos com Maluzinha, meu padrinho chegou. Ficou conosco durante um bom tempo, que até deu pra matarmos a saudade que estávamos sentido dele.

Meu padrinho cantou algumas chulas de caboclo,  cantamos e demos boas risadas. Conversou com meu irmão algumas coisas relacionadas à sua saúde e em seguida me disse que eu era muito emotiva, que eu sentia muito as coisas, mas que isso tinha remédio. E não é que sou assim mesmo? Qualquer coisa que sinto que para alguém pode ser uma besteira para mim não é e as águas de Yemonjá vem logo, como uma forma de lavar o que sinto que em mim está sujo, ou para levar consigo o que para mim sinto que está me pesando, ou ainda como uma forma de demonstrar o meu amor de forma sublime. E que bom que isso tem remédio, afinal, tudo demais é patológico, não é mesmo? O bom é mantermos o equilíbrio para seguirmos a vida evoluindo no caminho da luz, da sabedoria e do amor.

Eu que era meio carente de pai e de padrinho, fiquei preenchida dos dois com meu dindo Jiquiriçá. Sinto que ele me ama também, e antes de ele vir para dizer que era óbvio que ele aceitava ser meu dindo, eu falava ao vento as minhas angustias, na esperança dele estar ouvindo e pedia que me guiasse para o caminho certo. E pelo visto o meu pedido ele ouviu. É muito bom ter o senhor como pai, meu pai, e tê-lo como padrinho é uma satisfação, meu padrinho, amo demais o senhor!

Marina de Yemonjá

por Casa de Ewá

Cartomancia

Meu irmão Fred de Yemonjá veio aqui na minha casa, passamos a tarde toda na praia, e o mar estava lindo de mais, e esta é a morada de nossa mãe. O pôr do sol em stela maris é muito bonito. Quando chegamos em casa, ele me pediu para jogar para ele. Relutei um pouco, pois fazia tempo que não jogava, afinal os orixás e minha mãe, me pediram para que passasse um tempo aprendendo mais para depois exercitar a cartomancia. Iniciei o jogo para ele, arrumei a mesa joguei as cartas, as cartomantes me deram uma forcinha na minha visão, claro, e fiquei surpresa quando meu irmão me disse que as informações que o jogo trazia faziam todo o sentido para o momento em que ele vivia. Depois desse jogo, me senti mais segura de mim.  Já posso me apresentar como uma cartomante, Marina de Yemonjá. 

por Casa de Ewá

Sobre o Ilê Ya L’ojidan

  O Ylê Ya L’ojidan é uma casa de axé do Kêto, regido pela Yalorixá Nane de Yewa.  Yewa, para os que não a conhecem, é a rainha do ciclo das águas. Por existir este ciclo natural, as águas são purificadas (filtradas) e podem percorrer todo globo terrestre, tanto em estado gasoso,  quanto líquido ou sólido.

A água rega a terra (Obaluaye), que faz crescer as plantas (Ossayn), com a ajuda da energia solar (Xangô), surgindo folhas,  frutas, sementes e frutos que alimentam todos os seres vivos do planeta Terra. Por esta razão, ela é considerada rainha da prosperidade, além de  ser dona da vidência, dada a Yewá por Orumilá, quando foi salvo por ela de Ikú (a morte).

É apaixonante ser filha desse Orixá de raros encantos e mistérios, mais apaixonante ainda, é saber que através desse orixá eu e minha família, podemos seguir caminhando para nossa evolução espiritual, unidos pela fé, ajudando as pessoas que necessitam de alívio no seu viver.

Yewa Rí Ró!

Axé a todas e todos dessa religião afrodecendente, exclusivamente Brasileira.

Mãe Nane de Yewa

por Casa de Ewá